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A obesidade constitui actualmente um dos principais problemas de saúde pública a nível mundial, estimando-se que em Portugal esteja presente em cerca de 28.7% da população. Quando considerado o excesso de peso para além da obesidade, estima-se que o problema passa a afectar cerca de 67.6% da população adulta portuguesa (Dados do Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física, 2015).

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define a obesidade como uma doença crónica e de origem multifatorial, caracterizada pela acumulação anormal ou excessiva de gordura, resultante de um balanço energético positivo, isto é, uma ingestão energética (ou calórica) superior ao gasto energético por um período de tempo considerável. O Índice de Massa Corporal (IMC) consiste num indicador recomendado pela OMS para avaliar o estado nutricional do adulto e a presença de obesidade, determinado em função do peso corporal e estatura, e classificado em 6 categorias:

IMC inferior a 18.5 kg/m2 » Baixo Peso

IMC entre 18.5 – 24.9 kg/m2 » Peso Normal

IMC entre 25 – 29.9 kg/m2 » Excesso de Peso

IMC entre 30 – 34.9 kg/m2 » Obesidade de Grau 1

IMC entre 35 – 39.9 kg/m2 » Obesidade de Grau 2

IMC superior ou igual a 40 kg/m2 » Obesidade de Grau 3 (Mórbida)

A obesidade, para além de aumentar o risco de mortalidade e de diversas doenças (sobretudo metabólicas e cardiovasculares), desencadeia ainda diversos problemas com grande impacto na qualidade de vida do idoso, nomeadamente menor mobilidade, maior susceptibilidade a quedas e fraturas, maior dependência para as actividades de vida diária e perda de autonomia.

As orientações actuais da Sociedade Europeia de Nutrição Clínica e Metabolismo (ESPEN), recomendam a não utilização de dietas para redução do peso corporal de forma a prevenir a perda de massa muscular e o declínio funcional que a acompanha. A perda de peso corporal, seja ela intencional ou não, aumenta a perda de massa muscular e consequentemente o risco de sarcopenia, fragilidade, declínio funcional, fraturas e desnutrição. Desta forma, a abordagem nutricional no idoso pretende evitar a progressão do excesso de peso e/ou obesidade, procurando manter um peso corporal estável, através da combinação de uma dieta que forneça um aporte nutricional adequado (especialmente de energia e proteína) e actividade física sempre que possível. 

A Geriatria e Obesidade.

Todavia, em idosos com obesidade e problemas de saúde associados ao peso, dietas para perda de peso ponderal poderão ser consideradas após uma cuidadosa ponderação individual dos riscos e benefícios. Neste caso, as intervenções dietéticas e nutricionais devem ser, mais uma vez e sempre que possível, combinadas com a prática de actividade física a fim de preservar a massa muscular e promover a perda de massa gorda. A intervenção dietética deve consistir numa dieta equilibrada, planeada e monitorizada pelo Nutricionista, com uma restrição energética moderada e aporte adequado de proteína e restantes macro e micronutrientes. Os regimes alimentares muito restritivos com aporte energético muito reduzido estão contraindicados na população idosa tendo em conta o risco de desnutrição e de declínio funcional, pelo que o acompanhamento nutricional torna-se imprescindível no idoso com obesidade.

Carolina Caeiro – Nutricionista da DomusVi Santo Agostinho
CP 5018N