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A traqueostomia consiste num pequeno orifício que é feito na garganta, sobre a região da traqueia, onde é inserido um tubo para facilitar a entrada de ar nos pulmões, quando a via normal da respiração está comprometida. A traqueostomia é feita nos casos de tumores da garganta (com remoção ou não da laringe), problemas neurológicos, lesão traumática no rosto ou pescoço, reacções anafiláticas ou infecção grave pela COVID-19. 

A Pessoa com Traqueostomia_ o início de uma nova vida

A Traqueostomia implica uma mudança explícita da imagem corporal, sendo responsável por alterações na anatomia e fisiologia dos subsistemas da fala – respiração e fonação (produção de voz), assim como na função deglutição (ato de engolir). Estas são funções altamente coordenadas que envolvem inúmeras estruturas onde o sistema nervoso, o sistema respiratório, a laringe e os articuladores orais desempenham um papel essencial. A perda da capacidade de comunicar oralmente é, talvez, a maior das frustrações da pessoa com Traqueostomia. O processo deve ser acompanhado por um Terapeuta da Fala devidamente habilitado que, juntamente com a equipa médica, definem o método de comunicação mais vantajoso e adequado a ser implementado. Todo o procedimento irá depender do tipo de lesão e do tipo de cânulas que o traqueostomizado possui. Dependendo das habilitações literárias e capacidades físicas, a pessoa com Traqueostomia pode utilizar a escrita para comunicar. Outra alternativa passa por opções de comunicação aumentativa e alternativa, como quadros com imagens, fotografias ou símbolos permitindo expressar as suas necessidades/pedidos. Para a comunicação através da Fala, existem vários métodos de reabilitação vocal que permitem a aprendizagem de uma nova voz, tais como: Voz sussurrada; Laringe eletrónica (dispositivo externo operado por bateria e/ou pilhas que induz a vibração da mucosa oral ou faríngea, produzindo um som que é moldado pelos articuladores – língua, lábios, palato, dentes – em sons da fala); Voz esofágica (os músculos do esófago que vibram e passam a produzir o som da voz, em vez das cordas vocais); Voz traqueoesofágica (prótese fonatória que liga a traqueia ao esófago, ocluindo-se o orifício para falar). 

A área da alimentação também necessita de aprendizagem e adaptação. Um dos aspectos chave do papel do Terapeuta da Fala na Traqueostomia é a avaliação da função deglutição (ato de engolir), sendo que tal implica não só determinar a eficácia de uma eventual via oral, mas também da competência na gestão da saliva e das secreções. Além de intervir directamente no reforço da função das estruturas orofaciais e faríngeas e adequações das consistências alimentares (sólidos e líquidos, detecta e previne possíveis pneumonias por aspiração). Uma alimentação segura e eficaz melhora significativamente a sensação de bem-estar e qualidade de vida. 

As nossas unidades recebem frequentemente clientes nestas condições com diversas etiologias, sendo acompanhados pela equipa multidisciplinar e incluindo os cuidadores e família em todo o processo de reabilitação, através dos ensinos, orientações e cuidados à pessoa com Traqueostomia e à adaptação a uma nova vida.

 

Carina Ferreira - Terapeuta da Fala da DomusVi Dom Pedro V

Carina Ferreira – Terapeuta da Fala da DomusVi Clínica da Lomba e DomusVi Dom Pedro V