A European Society for Clinical Nutrition and Metabolism (ESPEN) define a desnutrição como “o estado resultante de uma insuficiente ingestão ou absorção de nutrientes que resulta numa alteração da composição corporal (perda de massa magra) e massa celular corporal que, por sua vez, leva a um decréscimo nas funções físicas e mentais e um pior resultado clínico da doença”.
A nutrição entérica refere-se à administração de todos os macro e micronutrientes essenciais directamente no sistema gastrointestinal através de uma sonda (nasogástrica, nasoduodenal ou jejunal) ou de uma ostomia (gastrostomia ou jejunostomia endoscópica percutânea). A nutrição entérica é uma fórmula alimentar líquida que engloba todos os nutrientes necessários para satisfazer as necessidades nutricionais, nomeadamente proteínas, hidratos de carbono, gorduras, vitaminas, minerais e outros nutrientes. Pode ser recomendada como suporte nutricional completo ou, por exemplo, como um suplemento à alimentação via oral, de acordo com as necessidades da pessoa, de modo a evitar a desnutrição.

Recorre-se a esta nutrição quando a alimentação via oral é insuficiente ou quando alguma condição clínica compromete a alimentação. Além disso, a nutrição entérica está indicada em várias situações clínicas mais específicas, nomeadamente problemas de digestão e absorção intestinal, doença oncológica, acidente vascular cerebral, doença renal, problemas de deglutição, entre outros. Os doentes de todas as idades (bebés, crianças, adultos e idosos) podem cumprir esta alimentação, quer em hospitais, unidades de saúde ou mesmo em casa.
Na prática, esta alimentação é administrada através do dispositivo de acesso com uma seringa (de forma intermitente) ou com uma bomba de alimentação (de forma contínua). As fórmulas fornecidas podem ser comerciais/industrializadas que são fórmulas líquidas completas produzidas em laboratório e vendidas, por exemplo, em farmácias. Além disso, podem também ser fórmulas culinárias que são confeccionadas em cozinhas e podem incluir batidos de farinhas lácteas/não lácteas, batidos de fruta, iogurtes, sopas enriquecidas nomeadamente com carne ou peixe. Nas nossas unidades, trabalhamos com diversas fórmulas comerciais e culinárias de modo a garantir o melhor aporte nutricional dos nossos Clientes.
Esta alimentação pode provocar alguns efeitos secundários tais como dejecções líquidas, intolerâncias, vómitos ou estases. Neste sentido é importante a monitorização e acompanhamento por uma equipa multidisciplinar que inclua nutricionista, terapeuta da fala, médico e enfermeiro para garantir a evolução e melhoria do estado nutricional do doente.
Sofia Oliveira – Nutricionista da DomusVi Portugal