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A alimentação é uma das acções que, com o envelhecimento e comorbilidades, poderá ficar comprometida. Podem desenvolver-se patologias como a disfagia ou perturbação da deglutição (acto de engolir) com repercussões graves na sua saúde, como malnutrição, desidratação, perda de peso, obstrução da via aérea e pneumonia por aspiração. Neste sentido, uma das partes mais significativas da actividade profissional dos Nutricionistas e Terapeutas da Fala aborda questões de desidratação e desnutrição. Por diversas vezes, o que parece ser uma recusa em comer é, na verdade, um distúrbio de deglutição conhecido como disfagia. É crucial lembrar que a refeição é um momento de partilha e socialização, em especial num país como o nosso, onde se convive bastante em torno da mesa e das refeições. A disfagia impacta negativamente esta interacção, contudo, através de estratégias e orientações, é possível que as pessoas que não têm a mesma capacidade de deglutir possam participar através de uma alimentação segura e eficaz. Este é um trabalho de equipa que inclui, não só os profissionais de saúde, mas também as famílias. Além da intervenção e tratamentos diretos ao Cliente, o Terapeuta da Fala aplica e realiza a manutenção das consistências alimentares que melhor se adequam ao grau de comprometimento da deglutição. 

Aconselham-se alimentos bem confeccionados, moles, sem fios/fibras ou muito secos, de modo a facilitar a preparação do bolo alimentar. Importante ressalvar que a capacidade de mastigação poderá estar afectada devido à ausência de peças dentárias ou próteses dentárias desadequadas. Acautelar ainda alimentos de casca rija (maçã, pêra), com sementes/caroço (uvas, cerejas) ou de consistências duplas, como é o caso de algumas frutas (melão, melancia, laranja). Quando os sinais de alteração da segurança e eficácia da deglutição se tornam cada vez mais evidentes, há necessidade de adequar a dieta a uma consistência homogénea pastosa, onde os alimentos são triturados/moídos até um creme, garantindo o aporte nutricional que o Cliente necessita. O empratamento deverá ser apelativo de forma a que o Cliente distinga a proteína, hidratos e legumes/vegetais. Além disso, existem vários itens naturalmente espessos disponíveis no mercado que podem ajudar a diversificar a ementa da sua casa, incluindo iogurte, smoothies, puré de maçã, sopas cremosas e pudins. Estas opções podem auxiliar os cuidadores, assim como de quem trata de cozinhar.

Distúrbios da Deglutição_ Adequação das consistências dos Alimentos e Bebidas.

No que concerne aos líquidos, estes também poderão necessitar de adequações através do uso de espessantes alimentares. Quando estamos perante uma disfagia a líquidos, todos os líquidos deverão ser espessados: água, chá, leite, café e sumos. De acordo com o grau de comprometimento (ligeiro, moderado ou severo), o Terapeuta da Fala prescreve a consistência que mais se adequa ao Cliente. Assim, a preparação dos líquidos deverá assemelhar-se a um “néctar”, “mel” ou “pudim”. É importante que a pessoa com disfagia mantenha o aporte hídrico, por isso, além do espessante de sabor neutro, poderão ser utilizados espessantes alimentares de sabor (laranja, frutos vermelhos, café) de forma a facilitar a aceitação e adaptação à nova textura, tornando a hidratação mais atractiva e saborosa.

 

Carina Ferreira - Terapeuta da Fala da DomusVi Dom Pedro V

Carina Ferreira
Terapeuta da Fala da DomusVi Dom Pedro V e DomusVi Clínica da Lomba