Compreender a Doença de Alzheimer é o primeiro passo para combater o estigma e garantir um acompanhamento digno. A equipa multidisciplinar da DomusVi reuniu os dados mais recentes e relevantes, baseados nas evidências partilhadas pela Alzheimer Portugal, para ajudar as famílias a compreenderem a dimensão e o impacto desta patologia.
O Cenário em Portugal e no Mundo
A Doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência, representando entre 60% a 80% de todos os casos diagnosticados. É uma condição neurodegenerativa que provoca a perda progressiva de funções cognitivas.
- Prevalência nacional e comparação Europeia: De acordo com os relatórios da Alzheimer Europe, Portugal apresenta uma das taxas de prevalência de demência mais elevadas da União Europeia. Estima-se que cerca de 1,99% da população portuguesa viva com algum tipo de demência, o que se traduz em aproximadamente 193.000 pessoas. Devido ao envelhecimento acentuado — Portugal é o 4.º país mais envelhecido da UE —, prevê-se que este número ultrapasse os 350.000 casos até 2050.
- Impacto Global e Frequência: A nível mundial, a realidade é igualmente desafiante:
- A cada 3 segundos, surge um novo caso de demência no mundo.
- Actualmente, mais de 55 milhões de pessoas vivem com demência a nível global, com estimativas de que este número dispare para os 139 milhões em 2050.
- Em termos de género, as estatísticas indicam que as mulheres são desproporcionalmente afectadas, representando a maioria dos diagnósticos de Alzheimer e também a maioria dos cuidadores informais.

Factos Essenciais para Desmistificar a Doença
Para além das estatísticas, a nossa equipa destaca pontos fundamentais para uma melhor compreensão da patologia:
- Não se trata de um envelhecimento natural : É crucial reforçar que a Doença de Alzheimer não é uma consequência inevitável de envelhecer. Trata-se de uma doença cerebral específica que requer diagnóstico e acompanhamento médico.
- Sintomas além da memória: embora o esquecimento seja o sinal mais conhecido, a doença afecta a capacidade de comunicação, o raciocínio lógico, a orientação no tempo e no espaço e, eventualmente, as funções motoras.
- O valor do diagnóstico precoce: detetar a doença numa fase inicial permite que a pessoa e a família planeiem o futuro com autonomia e iniciem terapias que ajudam a gerir os sintomas e a manter a qualidade de vida por mais tempo.
- O desafio dos Cuidadores: a doença de Alzheimer tem um impacto profundo na estrutura familiar. Os cuidadores, muitas vezes informais, desempenham um papel vital, mas enfrentam riscos elevados de exaustão, necessitando de suporte e informação constante.
A Doença de Alzheimer é um desafio de saúde pública que exige empatia e informação correcta. Conhecer os factos permite-nos olhar para o indivíduo além do seu diagnóstico, valorizando a sua história e dignidade. Estar informado sobre a realidade da doença em Portugal é o primeiro passo para garantir que quem vive com esta condição — e quem cuida — receba o apoio e a compreensão necessários para enfrentar as exigências do dia a dia.