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Nas últimas décadas, o índice de envelhecimento tem vindo a aumentar, representando a população sénior 22,3% da população portuguesa, em 2020.

O aumento da esperança média de vida aumenta a preocupação com a qualidade de vida, tendo a alimentação um papel fundamental.

Hábitos alimentares na população sénior e suas consequências


O último Inquérito Alimentar Nacional, que retrata o consumo da população portuguesa, revela os seguintes dados sobre a alimentação dos seniores: 

– Grupo dos cereais, derivados (aveia, arroz, pão, massa) e tubérculos (batata): os seniores aproximam-se das recomendações para estes alimentos o que sugere uma adequação de energia.
– Grupo dos hortícolas: ingestão média de 153g por dia, equivalente a 1 tigela de sopa. Sendo a recomendação mínima de 360g de hortícolas crus ou de 280g cozinhados, a população encontra-se em défice, o que poderá aumentar o risco de alterações do tubo digestivo e diminuir o potencial antioxidante do organismo.
– Grupo dos frutos: ingestão média de 131g por dia. Também a ingestão de fruta se encontra abaixo das recomendações sendo necessário, pelo menos, duplicá-la para usufruir do poder proctetor da fruta.
– Grupo das leguminosas: ingestão média de 18g por dia. Também neste grupo a ingestão permanece inferior às recomendações. As leguminosas representam o grupo mais completo da Roda da Alimentação Mediterrânica, uma vez que são fonte de energia, proteínas, fibra, vitaminas e minerais, contribuindo de forma significativa para atingir as recomendações diárias de grande parte dos nutrientes e, consequentemente, manter o equilíbrio do organismo.
– Laticínios: os idosos são o grupo etário com menor consumo, o que poderá ter um impacto negativo na saúde óssea, muscular e neuronal.
– Carne, pescado e ovos: embora a carne seja consumida em maior quantidade em relação ao pescado, parecem aproximar-se das recomendações. A presença de carnes processadas, com claro impacto negativo na saúde, é pouco expressivo nesta população.
– Óleo, azeite e manteiga: os seniores preferem azeite em detrimento de outras gorduras, o que poderá beneficiar a saúde cardiovascular.
– Água: ingestão média diária reduzida ≈ 780ml, o que poderá contribuir para acentuar estados de desidratação e todas as consequências que daí advêm, principalmente a nível neuronal, renal, intestinal e cardiovascular.

 

De salientar que as maiores preocupações a nível nutricional se prendem com uma baixa ingestão de alimentos proteicos (laticínios, leguminosas, peixe…) e uma elevada inadequação de micronutrientes, sobretudo cálcio, ferro, folato, vitaminas A, B, C, D, podendo prejudicar o normal funcionamento do organismo.

O envelhecimento leva naturalmente a alterações: mastigação, deglutição, motoras… que podem condicionar a alimentação e estado nutricional. O cumprimento de um padrão alimentar equilibrado e completo ajuda a atingir as recomendações de energia, de macro e micronutrientes, prevenindo défices, tratando ou controlando doenças e promovendo a saúde.

 

Equipa de Nutrição da DomusVi Portugal