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O aumento da longevidade está a introduzir grandes mudanças na sociedade, que se depara com o aumento da esperança de vida e com a redução da natalidade, o que conduz ao envelhecimento populacional. Este envolve alterações em vários domínios da vida do indivíduo. As limitações, dependências e incapacidades associadas à longevidade, exigem que a família e a sociedade se adaptem aos desafios relacionados com o envelhecimento. Neste sentido, surgem as respostas informais ou formais para fazer face às necessidades decorrentes da longevidade, o que pode levar os filhos a assumir um papel de cuidador ou à institucionalização dos pais (Sequeira, 2010).

Tanto numa situação como noutra os desafios são vários, seja para a rede de suporte, como para a pessoa mais velha. Neste contexto, no âmbito dos cuidados formais, o facto de não ser possível o “ageing in place” (OMS, 2015), implica a adaptação da pessoa mais velha a uma nova realidade, com novas rotinas, novas regras e novas pessoas. Tudo isto tem impacto no bem-estar dos mais velhos. Assim, é essencial as instituições terem por base o conceito de humanitude na prestação de cuidados, respeitando o facto de cada indivíduo ser um ser heterogéneo. 

Apesar dos esforços por parte das instituições para oferecer um cuidado individualizado aos Clientes, há épocas do ano que são mais susceptíveis de afectar o bem-estar dos mais velhos, como por exemplo, a época natalícia que se aproxima.

O bem-estar dos mais velhos na época natalícia

O Natal como altura do ano em que se junta toda a família, se revive memórias e tradições, torna-se uma época nostálgica. Para além de recordarem entes queridos que já partiram, também se deparam com o conceito de finitude da vida, o que leva a sentimentos de tristeza, stress e/ou, em alguns casos, depressão. 

Neste sentido, as instituições devem estar ainda mais atentas e focadas no bem-estar dos Clientes nestas épocas mais sensíveis. O gerontólogo como profissional que procura melhorar a qualidade de vida e o bem-estar nas pessoas à medida que estas envelhecem (AGHE, 2014) podem intervir com acções que minimizem esses efeitos negativos, como:

Apesar desta ser uma época que pode causar maior labilidade emocional, estas acções podem minimizar os sentimentos negativos que ocorrem muitas vezes. Ao recordar tradições e entes queridos mantêm vivas as memórias do passado. Simultaneamente, participando activamente nas dinâmicas das instituições onde se encontram, têm oportunidade de criar novas memórias, desenvolvendo um sentimento de pertença que é fundamental para manter o equilíbrio e o bem-estar nesta época festiva.


O bem-estar dos mais velhos na época natalícia.

Cristina Soares – Gerontóloga, Técnica da Lazer da DomusVi Villa Carolina
Luísa Rosa – Gerontóloga, Técnica da Lazer da DomusVi Villa Carolina

 

Referências Bibliográficas:
– Association of Gerontology in Higher Education (2014). Gerontology competencies for undergraduate & graduate education. Washington: Association of Gerontology in Higher Education.
– Organização Mundial de Saúde (2015). Relatório Mundial de Envelhecimento e Saúde.
– Sequeira, C. (2010). Cuidar de idosos com dependência física e mental. Lidel.