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O profissional de saúde da área de Terapia Ocupacional intervém com variadas condições de saúde, em fase aguda ou crónica, nomeadamente na vasta gama de possíveis Lesões Neurológicas, incluindo o Acidente Vascular Encefálico (AVE), mais comumente conhecido como Acidente Vascular Cerebral (AVC).

O processo de recuperação após esta lesão é normalmente longo, afectando e envolvendo a pessoa lesada e todos os intervenientes que fazem parte da sua rede de suporte, incluindo família e amigos. Neste processo, o principal objectivo do terapeuta ocupacional é minimizar ao máximo os efeitos das sequelas resultantes da lesão, permitindo e facilitando uma vida o mais autónoma e independente possível para o Cliente. Apesar de todos os esforços realizados durante a intervenção, esta recuperação pode ser total ou parcial, sendo que neste último cenário, os danos podem perdurar para toda a vida.

O papel do Terapeuta Ocupacional no Acidente Vascular Cerebral (AVC)

O AVC pode originar inúmeras alterações nas diferentes funções e competências utilizadas pela pessoa para desempenhar as diferentes actividades do dia a dia. A nível motor podem surgir paralisias motoras parciais, onde se mantém algum movimento ou activação motora (hemiparesia) ou paralisias totais do movimento (hemiplegia). Estas surgem no hemicorpo (metade do corpo) contrário ao lado onde ocorreu a lesão cerebral. Ainda a nível motor, pode surgir alterações do tónus muscular, presença de reações associadas ou movimentos involuntários e défices nos mecanismos de controlo postural. Para além deste domínio, existe um variado leque de funções que podem ser afetadas, como as funções sensoriais, perceptivas, cognitivas, relacionadas com a comunicação e comportamento.

Dadas as variadas consequências desta lesão, o Terapeuta Ocupacional realiza uma avaliação pormenorizada e abrangente, de forma a compreender quais as áreas de ocupação e actividades nas quais o Cliente sente dificuldades e o podem tornar dependente de terceiros. Desta forma, percebe o porquê destas mesmas limitações, quais as funções e competências que estão alteradas e de que forma alteram o seu desempenho no dia a dia.

De seguida, após definição dos objectivos para a intervenção e elaboração de um plano conjuntamente com o Cliente, a Terapia Ocupacional inicia a sua intervenção. Dada a variedade de possíveis consequências do AVC, a possibilidade de intervenções é igualmente ampla, incluindo: promoção da autonomia e independência nas actividades da vida diária, assim como alimentação, vestir/despir e higiene pessoal; estimulação cognitiva, direccionada para as funções em défice como memória, atenção, concentração, capacidade de resolução de problemas, entre outras; promoção das competências motoras, nomeadamente força muscular, amplitude de movimento, coordenação global, equilíbrio, motricidade fina, destreza manual, entre outras; estimulação multissensorial; promoção das competências psicossociais; adaptação do ambiente e contextos ; aconselhamento, elaboração e treino de produtos de apoio de compra ou confeccionados pelo Terapeuta Ocupacional e treino do uso de ajudas técnicas.

Neste complexo processo de reabilitação, que conta com a colaboração de toda a equipa multidisciplinar, o Cliente é parte central do mesmo, tal como a sua rede de suporte.

Catarina Serôdio - Terapeuta Ocupacional da DomusVi Clínica da Lomba

Catarina Serôdio – Terapeuta Ocupacional da DomusVi Clínica da Lomba