A população europeia está a envelhecer. Mas, “Portugal está a envelhecer a um ritmo mais acelerado do que os restantes países europeus. [De acordo com o Eurostat] em 2022, metade da população portuguesa tinha mais do que 46,8 anos de idade” [Público]. “Um em cada três portugueses terá mais de 65 anos em 2050, aumentando mais de 50% em relação à taxa actual” [Jornal de Negócios].

O envelhecimento populacional resulta da combinação de vários factores, muitos dos quais estão interligados e evoluíram ao longo do tempo. Os avanços médicos, as mudanças sociais e culturais, as transformações económicas e políticas, a baixa natalidade, além de vários outros factores individuais e colectivos contribuíram para este fenómeno.
Contudo, apesar do envelhecimento ser um processo natural para o ser humano, a sociedade ainda apresenta preconceitos em relação à população sénior. Nesse sentido, em 1969, Robert N. Butler, médico e investigador americano, especialista em psiquiatria e gerontologia, desenvolveu o conceito de Idadismo. Este conceito pretendia descrever a discriminação e o preconceito da sociedade em relação à população sénior.
O termo idadismo tem origem na palavra inglesa “ageism” e significa a marginalização etária de que as pessoas sofrem. A sociedade, voluntária ou involuntariamente, age de forma depreciativa em relação às pessoas mais velhas. A invisibilidade social das pessoas afectadas é uma característica também presente no Idadismo, uma vez que afasta a população sénior da vida social e política.
O preconceito relacionado com a terceira idade manifesta-se sob várias formas e transforma o que é um processo natural e inevitável, num problema. O Idadismo pode materializar-se na dificuldade em procurar um emprego, na própria discriminação no seio laboral, na discriminação nos cuidados de saúde, na inferiorização pessoal, entre outros.
O Idadismo tem consequências na vida da população sénior, apresentando repercussões na saúde mental do Idoso, nomeadamente na qualidade de vida, autoestima, valorização pessoal, isolamento e, no limite, pode provocar ansiedade e levar à depressão. Nesse sentido é importante desmistificar o processo de envelhecimento, abordá-lo com naturalidade, compreensão e empatia, já que, todos nós, todos os dias, estamos a envelhecer!