Solidão e Isolamento Social são conceitos muito debatidos actualmente, podendo até ser confundidos.
No entanto, importa, antes de mais, defini-los e diferenciá-los.
A solidão vem de dentro, vem de nós. É uma experiência subjectiva de não pertença, de não identificação, independentemente da quantidade de pessoas que se tem à volta, e que despoleta no indivíduo sentimentos negativos e/ou sofrimento. Esta condição pode interferir no bem-estar biopsicossocial e na qualidade de vida da pessoa.
Por outro lado, o isolamento social pode ser definido como a ausência de contacto social, esta ausência pode ser voluntária ou involuntária. Normalmente, quando a ausência de contacto é voluntária, ocorre de forma gradual, não sendo percepcionada pelo próprio.
Existem alguns factores de risco comuns a ambos os conceitos, como a institucionalização, a perda de alguém próximo, dificuldades financeiras, doenças físicas e/ou mentais, condições sociais e violência.
A pandemia veio exacerbar os fatores de risco referidos anteriormente. A doença COVID-19 teve impacto direto na saúde física das pessoas e indireto na saúde mental, estabilidade financeira e no comportamento e interações sociais. Na terceira idade, e devido ao risco elevado de contágio e complicações inerentes, os fatores de risco tomaram uma proporção ainda maior, o que veio agravar um problema previamente existente: o elevado isolamento social na terceira idade no nosso país.
Para prevenir os fatores de risco previamente mencionados, existem estratégias que podem ser adotadas, entre elas:
Manter contacto com familiares e amigos, se não for presencialmente, utilizando os meios tecnológicos. No entanto, é fundamental que estes contactos sirvam para desenvolver relacionamentos de qualidade. Tornando-se para isso imperativo dotar as pessoas idosas de ferramentas necessárias para a utilização das novas tecnologias.

É essencial manter as rotinas diárias, para prevenir o sedentarismo.
Adotar um animal de estimação, promove sentimentos positivos, auxilia a manutenção de rotinas e hábitos diários e em certos casos aumenta a necessidade de saídas do domicílio.
O envolvimento em atividades de voluntariado, quer seja de cariz social ou religioso, engloba o relacionamento com outros, externos à rede nuclear. Existem outros locais onde é possível o relacionamento com outros e o acesso a atividades de ocupação e lazer.
Indivíduos que apresentem fatores de risco e que os mesmos interfiram na sua qualidade de vida, devem procurar ajuda profissional, na área da saúde mental.
Jéssica Costa – Psicóloga da DomusVi Dom Pedro V
Luciana Gonçalves – Técnica de Lazer da DomusVi Dom Pedro V