Nascida na Gafanha da Nazaré em Outubro de 1941, a Enfermeira Parteira Conceição Rocha é das figuras mais conhecidas na região de Aveiro. A sua vocação permitiu-lhe fazer parte dos momentos mais felizes e importantes de muitas famílias de Aveiro : ver nascer novas vidas. Feliz e saudosa, a Enfermeira Conceição Rocha recorda a sua infância, a sua profissão e a sua família.
Nas suas palavras, teve uma infância normal e feliz, com os seus dois irmãos. “Brincávamos muito a esconder coisas à minha mãe. Costumávamos esconder o açúcar e a farinha em cima dos armários da cozinha. E, para além das brincadeiras, tínhamos que trabalhar em casa : arrumar, limpar, fazer camas, tudo!”
A sua vocação profissional existiu desde sempre. “Quando o meu pai e o meu irmão vinham do mar, eu cuidava deles. O meu pai era escalador/salgador e o meu irmão era marítimo. O meu irmão ganhou, inclusivamente, uma medalha por encontrar um pescador que estava perdido e ninguém o encontrava. Muitas vezes, o meu irmão e o meu pai traziam feridas e outros problemas e eu cuidava deles com todo o meu amor. Foi assim que descobri a minha vocação!”

Concluiu a 4ª classe em Aveiro, tal como os irmãos, e depois rumou para Coimbra, onde fez o curso de Enfermagem, e, anos mais tarde, onde concluiu a especialização de parteira. Apesar disso, começou por ser Enfermeira em Vera Cruz, e fez partos quando ainda não era parteira. “Perdi a conta aos partos que fiz. Comecei por contar, mas depois perdi-me. Foram muitos mesmo. Naquele tempo os partos eram em casa. Eu comecei a incentivar as mulheres a irem para o hospital, ou tinha que as levar quando havia complicações.” Além disso, acrescenta “Felizmente eu era muito aventureira e racional. Quando havia complicações ou problemas, eu conseguia manter a calma e resolver a situação. Por exemplo, quando um parto ficava complicado e eu sabia que precisávamos de ir para o hospital, eu própria levava a grávida para lá.”

A Enfermeira Conceição Rocha tem uma placa na entrada de sua casa que, no passado, servia para informar as pessoas de que era Enfermeira Parteira Diplomada. Actualmente é um motivo de orgulho, porque a permite relembrar-se, com saudade, dos seus tempos de profissão. Muitas das parteiras daquele tempo eram, o que a Enfermeira Conceição Rocha chama de “curiosas”, já que faziam partos não tendo, muitas vezes, habilitações académicas ou profissionais para tal. “Quando havia complicações, as curiosas chamavam as parteiras. Lembro-me da Maria Espanhola que era uma grande cozinheira e também fazia partos.” [risos].

Construiu uma bonita família, ao casar-se e ter três filhos. Recorda-se de um dos partos dizendo “Tive três filhos, mas gostava de ter tido muitos mais! Fiz partos durante todas as minhas gravidezes. Num dos meus filhos, já estava com a barriga quase na boca e fiz noite no hospital. Quando cheguei a casa, telefonei à minha colega a dizer que ia voltar ao hospital porque o meu filho ia nascer. Durante a noite, enquanto trabalhava, a dilatação fez-se, mas ele não nasceu no carro porque tinha o cordão ao pescoço”.
Muitos anos depois, já com os seus filhos adultos, a Enfermeira Conceição Rocha sofreu uma queda, e, uma das suas filhas, Cidália Marques, procurou uma solução para que estivesse mais acompanhada e segura. “A minha filha tinha que trabalhar e por isso procurou locais onde eu pudesse ficar com apoio e tranquilidade. Este foi o melhor local que a minha filha encontrou!” No seu dia-a-dia na unidade participa nas actividades e nos ateliers e nos passeios. Além disso, tem sempre companhia e conversas agradáveis com as suas amizades, que são tanto de outros Clientes como de outros Cuidadores. “Sinto-me muito bem aqui. Estou acompanhada e tenho apoio quando necessito. Sei o que é cuidar dos outros!”