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Prestes a completar 90 anos em Janeiro, a D. Emília Oliveira é autónoma, participa nas actividades da Unidade, incluindo a Universidade Sénior, e partilha diariamente valiosas histórias sobre as suas experiências ao longo da sua vida. Nasceu nas Caxinas, em Vila do Conde e viveu em Matosinhos e Leça da Palmeira. A sua vida sempre foi ligada ao mar, já que os seus pais eram bacalhoeiros. “O meu pai era mestre de traineira e alguns dos meus irmãos percebiam do barco do meu pai. Apesar da vida do mar ser difícil, estivemos sempre ligados a ele”, refere. “Uma das minhas irmãs vendia o peixe do meu pai e do marido dela. Quando ela deixou de vender, eu era costureira, mas deixei o ofício e fui para a lota”.

Com doze irmãos, a sua casa era uma alegria! Apesar de ter estudado até à quarta classe, alguns dos seus irmãos estudaram mais anos, uma vez que os seus pais lhes davam abertura para tomarem este tipo de decisões. Após concluir a quarta classe foi costureira e até trabalhou para a Singer. Mas quando a família precisou, foi trabalhar na lota de Matosinhos a vender o peixe do pai.

A D. Emília Oliveira emociona-se ao contar as histórias relacionadas com o seu amor. “O meu marido era serralheiro mecânico. Lembro-me muito bem como começámos a namorar! Ele andava atrás de mim, mas eu não tinha ordens para namorar. Um dia ele perguntou-me directamente quando é que íamos namorar, mas não lhe respondi porque não tinha autorização para namoros!! Algum tempo depois, estava eu a puxar o lustro das escadas de casa e o meu pai chegou. Abordou-me perguntando-me se tinha mandado o rapaz ir ter com ele, pedir-me em namoro.  Eu respondi-lhe que não, mas que se o meu pai me desse autorização, eu namorava com ele. O meu pai não respondeu e subiu as escadas! Então eu pensei, quem cala consente [risos]. Quando olhei para a porta, o meu futuro namoro estava lá e eu perguntei-lhe porque é que ele tinha ido falar com o meu pai. Ele respondeu-me que eu lhe tinha dito que precisava de autorização! A partir daí foi oficial.”

O casamento, algum tempo depois, é também uma memória feliz que a D. Emília Oliveira recorda com saudade. Casou-se na antiga igreja das Caxinas e a celebração, de acordo com as suas palavras, foi muito bonita. “A minha irmã fez o meu vestido de noiva, que ficou lindíssimo. No dia do casamento, vesti-me na casa da minha tia na Póvoa de Varzim e depois fomos para a Igreja antiga das Caxinas. Apesar da minha mãe ser muito poupada, o meu pai fez-me um casamento muito bonito!”. Além disso, acrescenta “Ainda os comes e bebes não tinham acabado e eu e o meu marido viemos embora… o motorista trouxe-nos para o Porto para uma surpresa que o meu marido me tinha preparado!”

Vida activa na DomusVi Júlio Dinis, com D. Emília Oliveira.

O quotidiano da D. Emília Oliveira

“Quando vim para a DomusVi Júlio Dinis encontrei uma grande amiga minha, que trabalhou comigo na lota de Matosinhos, a D. Alice. Foi uma enorme alegria este reencontro após dezenas de anos sem nos vermos. De modo que, durante o dia aqui na Unidade, estou com a D. Alice e com outras amigas que tenho, faço as actividades, frequento a Universidade Sénior, vou aos passeios e faço fisioterapia. Gosto muito de cantar, de contar algumas histórias da minha vida e de falar com as minhas maravilhosas netas. As minhas netas cuidam muito bem de mim e telefonam-me para saber como estou. Agora, uma das minhas netas comprou-me umas sapatilhas para eu fazer fisioterapia como deve ser!!”