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Vida activa na DomusVi Villa Carolina, com Prof. Júlia Ribeiro

Aos 85 anos, a Professora Júlia Ribeiro é autónoma, participa em todos os passeios da DomusVi Villa Carolina, é a criadora da Hora do Conto da Unidade e lê diariamente o Jornal Público. Nasceu em Torre de Moncorvo, escreveu mais de 10 livros, venceu vários prémios literários e teve uma vida recheada de aventuras pela Europa.

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Com licenciatura em Filologia Germânica e mestrado em Ciências da Educação, a Professora Júlia Ribeiro tem três Doutoramentos em Filologia Germânica, Tradução Comparada e Linguística Inglesa e Alemã. Ao longo do seu percurso académico foi conhecendo vários professores, alguns dos quais a marcaram profundamente “Tive aulas com o professor catedrático Albano Estrela durante o Mestrado de Ciências da Educação. Também a sua esposa me deu aulas, a Professora Teresa Estrela. Na minha opinião foram dois professores excelentes”.

“O meu marido era estudante de Direito e trabalhava como copista no tribunal da Sertã, porque, naquele tempo, não havia fotocopiadoras. Como tinha uma boa letra, escrevia os documentos do tribunal.” No entanto, o percurso académico do marido da Professora Júlia Ribeiro sofreu alguns percalços. “O meu marido era do reviralho, ou seja, era contra o regime salazarista. Os professores salazaristas, chumbavam-no. Na cadeira de Direito Colonial o Professor perguntava sempre ao meu marido – Quais são as vantagens do colonialismo? – e, invariavelmente, o meu marido respondia – Nenhumas, Sr. Professor”. Segundo conta a Professora Júlia Ribeiro, naquele tempo, só havia curso de Direito em Lisboa e em Coimbra, e, quando se reprovava três vezes tinha que se mudar de Universidade. “O meu marido foi expulso da Universidade de Coimbra e teve que ir para Lisboa. Em Coimbra, era aluno de 11-12. Em Lisboa as suas notas melhoraram substancialmente. Concluiu o curso de Direito e foi um grande Advogado, inclusive foi Bastonário da Ordem dos Advogados em Portugal Centro.” Além disso, a Professora Júlia Ribeiro acrescenta “O meu marido tinha um enorme sentido de justiça, era uma pessoa de causas. Ele era Advogado dos Sindicatos, e, escusado será dizer que os sindicatos não tinham dinheiro para lhe pagar. A fatiota que o meu marido usava nem era decente, foi dada por um colega e a minha sogra remendou-a com muito cuidado e dedicação! Toda a gente tinha um enorme respeito pelo meu marido, mas tivemos uma vida apertada e contávamos com a ajuda dos nossos pais. Nunca compramos casa, nunca compramos um carro em primeira mão!”

Naquela época, para se ser professor, tinha que se fazer estágios não remunerados, e, a Professora Júlia Ribeiro fez dois estágios nestes moldes. “Fui professora pela primeira vez na Escola Municipal da Figueira da Foz. Estive lá cinco anos até ser questionada pelo reitor sobre o meu nome, uma vez que em alguns documentos eu colocava o nome do meu marido e noutros não. O nome do meu marido era conhecido por ser contra o regime e então fui despedida por causa disso! Fui então para o Colégio de Porto de Mós, um colégio lindíssimo que ainda existe. O Director conhecia-me dos exames do liceu e por isso contratou-me para fazer os exames orais. No entanto, não tinha um vencimento fixo e estável porque, além de não estar nos quadros, só ganhava por exames feitos. Para conseguir ter mais um rendimento, dava explicações e comecei a escrever para um jornal.”

A Professora Júlia Ribeiro teve várias bolsas de estudo, tanto do ensino português como do ensino alemão. O objectivo era comparar os ensinos nos diferentes países. “Nesse tempo, o valor das bolsas de estudo incluía um hotel apenas para mim, mas como queria levar a minha família, íamos para parques de campismo. Estivemos na Alemanha e em Inglaterra. A minha filha aprendeu alemão e o meu filho aprendeu inglês. Além disso, o meu marido também teve a oportunidade de falar com outros sindicatos, sobretudo da área da metalurgia que era muito forte na Europa. Foi um período com falta de muita coisa, mas muito rico em aprendizagem. Tive colegas que acabaram por fazer doutoramentos de Língua Portuguesa porque começaram a aprender português comigo!”.

A Professora Júlia Ribeiro ficou viúva muito cedo, com dois filhos na Universidade : “Tive que trabalhar muito, dar muitas explicações para garantir que os meus filhos tinham o que precisavam!”. Durante o período de doença do seu marido, iam muitas vezes a Viana do Castelo, porque os tratamentos eram no Porto : “Como o meu marido foi tratado no IPO do Porto, ficava mais perto irmos descansar a Viana do Castelo, onde a minha filha morava, do que voltar para Leiria. E foi assim que vim para a DomusVi Villa Carolina”.

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O quotidiano da Professora Júlia Ribeiro

“Pensava que ia passar a minha velhice a fazer cruzeiros, a conhecer o mundo… Mas vim para a DomusVi Villa Carolina. No entanto, gosto de estar aqui! Os meus dias são preenchidos, com livros, passeios, a Hora do Conto e as minhas amigas. 

Sou responsável pela Hora do Conto da DomusVi Villa Carolina, uma actividade que já fazia nas escolas quando dava aulas. Aqui o contexto é diferente, mas também muito engraçado!

Nesta Unidade sinto-me em segurança porque tenho cuidadoras e enfermeiras sempre disponíveis para me ajudar quando preciso!”